Trabalho, Saúde Mental e Terapia Cognitivo Comportamental: Uma Análise Biopsicossocial do Adoecimento Laboral
Trabalho de Conclusão de Curso para Pós-graduação em Terapia Cognitivo Comportamental pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2025), orientado pela Profª Me. Susana Gib Azevedo.
Pedro Luís Ribeiro Marcondes; Médico (PUC Campinas), Especialista em Medicina de Família e Comunidade (HMMG/CHOV), pós-graduado em Gestão Pública (PUC Campinas), Psiquiatria (CENBRAP), Psicologia da Educação (PUCRS), Terapia Comportamental (PUCRS) e Fisiologia e Fisiopatologia Humana (UNIFESP). É também graduado em Imagem e Som (UFSCar).
Dedicatória e Introdução
Fundamentos Teóricos e Contexto Social
"What complicates things more is that we also live in a capitalist society, where there is always going to be someone trying to sell you something… In fact, some people would argue that capitalism can only continue by constantly making us dissatisfied with our lives.… You know, if everybody said I am very happy with my television, my car and everything else I've got, and I'm perfectly content with my lifestyle, the whole economy would come shattering down around our ears"
— James Davies (psicoterapeuta)
Dedicatória
Dedicado a: Psic. Aaron Beck. Soc. Émile Durkheim. M.D. Baron Karl von Rokitansky. Agradeço meus pais, minha irmã e minha tia Aparecida Marcondes e meu tio Geraldo Marcondes. Agradeço minha orientadora, Prof.ª Susana Gib Azevedo, pelo investimento de tempo e cuidado com o texto.

1. Introdução
A vida laboral enquanto finalidade primeira e última no entendimento da visão contemporânea e capitalista social, na narrativa daqueles que fazem parte da população economicamente ativa de um país (PEA), e também como instrumental da apropriação do capital para finalidade de uso enquanto obtenção de "Dairies" (laticínios e produtos básicos de consumo alimentar) e todo complementar, ao menos básico, para a vida "funcional", é assunto de importante discussão à sociedade como um todo.
A vida capitalista situa o ser moderno, enquanto sujeito e ator de sua narrativa, no contexto da atividade laboral por ele ou por ela escolhida; suas possibilidades de ganho, de bônus e de ônus, referente a suas obtenções em alimentação, dispositivos eletrônicos, dispositivos periféricos, dispositivos próprios ao funcionamento do lar, assim como todos os outros pontos essenciais à própria dinâmica, tanto integrada no ser psicológico individual, quanto no ser sociológico coletivo.
Diante destas informações é possível avaliar a real possibilidade de saúde e adoecimento na vida das tarefas diárias relativas ao trabalho. Neste sentido pode se estabelecer diferentes modalidades de entendimento da vida básica e de eventuais prejuízos que o ser social pode vir a ter no contexto de suas jornadas de trabalho; adoecimentos de ordem sistêmica, mecânica, hematológica, de aspectos referentes à derma e eventuais processos decorrentes de agentes sob o contexto desta mesma, assim como outros possíveis desfechos em termos de saúde sistêmica do indivíduo; devendo-se lembrar que o adoecimento de ordem psicológica pode ser atribuída também em diferentes nichos, sendo eles por exemplo: adoecimento do ponto de vista neurológico com eventual componente alicerçado em agentes rotineiros do instrumental do trabalho, como agentes químicos, entre outros de insalubridade – química – biológica – mecânica – e aspectos de próprios agentes como fleugmas, e outros componentes corpóreos, como a anatomia, a deterioração muscular, a deterioração óssea, ligamentar, neural, atribuições errôneas ao sangue, entre diferentes avaliações no sistema corporal com, e certamente, desfecho ao pensar e cognitivo próprio àquele inserido à dinâmica de trabalho.

Conceito fundamental: "É fato social toda maneira de agir, fixa ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior; ou então ainda, que é geral na extensão de uma sociedade dada, apresentando existência própria, independente das manifestações individuais que possa ter" (DURKHEIM, 1895, p. 12).
Sendo então, valioso entender qual a dinâmica do adoecimento de trabalho, lembrando ainda que existem inúmeras formas de se trabalhar, e que, em uma mesma modalidade laborativa, pode-se haver diversas sistemáticas, e até randômicas, de se exercer o mesmo trabalho. Sendo assim há muito o que se pensar, e este universo é vastíssimo, lembrando mais uma vez que há componentes individuais e sociais, atribuições psíquicas e atribuições sociológicas ao trabalhar, fundamentada e regida, ainda por cima, sob uma lógica capitalista, e também, ao se pensar em termos de profundidade, na análise do homem moderno ou contemporâneo, em diferentes países, em situações diversas econômicas as mais diferentes possíveis.
Sendo assim este estudo procura ampliar o olhar sobre aquela que é talvez uma das mais importantes sistemáticas do agente moderno de transformação – o homem – na figura da atividade do trabalho e suas diferentes dimensões, mas, sobretudo, no valor da obtenção do dinheiro, da mais valia, do consumo e de tudo também ligado ao consumo. Durkheim (1895), estimou desfechos diversos à sociedade contemporânea mesmo diante de dispositivo ferramental possível em contexto pré-analítico. Às suas pesquisas são obtidas informações importantes: a própria ideia de coletividade e de Pacto Social, certamente à análise das possibilidades e referencial ao trabalho também.
Se deslocarmos esta ótica à Psicologia em sua vertente Terapia Cognitivo Comportamental, poderemos assegurar que nesta última há possibilidade de reflexão, avaliação e, principalmente, de reabilitação, na vida de trabalho de inúmeros seres sociais, que estão de alguma forma ou outra no "mercado de trabalho".
Vamos pensar sobre a lógica da Terapia Cognitivo Comportamental como isso funciona: o indivíduo que labora, em primeira instância, tem muitas possibilidades de adoecimento. Em segunda instância, este mesmo indivíduo, tem doenças já pré-mórbidas ou doenças que se instalam durante sua jornada de atividades de trabalho. Em terceira instância está já o próprio adoecimento e "doença" estabelecidos e o que decorre desta problemática, extremamente presente na realidade de nosso país.
"Aquilo que é moral é, pode-se dizer, tudo aquilo que é fonte de solidariedade, tudo aquilo que força o homem a levar em conta o outro, a ajustar suas ações a algo além de suas próprias impulsões egoístas; e a moralidade é tanto mais sólida quanto mais numerosos e fortes forem esses laços" (DURKHEIM, 1893, p. 317).
Em vista disso, sabemos que os instrumentos para prevenção e reabilitação são escassos; sendo talvez o primeiro aquele com melhor assertividade aos cuidados do e inseridas na obtenção do dinheiro por meios que envolvem rotinas, empregos e tudo mais que advém disto. Entenda que sob este aspecto, são estes os mais importantes critérios na prevenção do adoecer nas circunstâncias do mundo capitalista de hoje, e, no Brasil, país latino americano, de grande extensão territorial, entre os cinco maiores do mundo, e de economia pungente, entre as vinte mais salutares do globo.
O adoecer é próprio do "contemporaneamente", é próprio de tudo que se atribui, que sem dúvida nenhuma, nem a se questionar, envolve dinheiro. Pois é do capital Adam Smithiano a interpretação dos agentes de obter do tempo atual. Voltando à lógica da Psicologia sob a ordem da Terapia Cognitiva Comportamental, colocamo-nos agora à real interpretação dos fatos, da "Prevenção", da "Sistemática", e da "Reabilitação".
Este material, ao comunicar-se com o universo da vida prática do qual se obtém o capital necessário à subsistência, quando em muitas vezes em um paradigma de subserviência, tem como objetivo nos trazer à reflexão esta temática tão importante: o trabalho, suas implicâncias, a dinâmica psicossocial e o adoecimento físico e mental. Para que isso ocorra se faz necessária uma revisão teórica narrativa que resgata diversos autores com enunciações relativas à questão do labor, à Psicologia à Sociologia, sendo, dentre estes, os mais importantes nesta argumentação, Aaron Beck (1975) e Émile Durkheim (1893). As buscas foram realizadas através do Google, atentando-se para literatura com referência teórica e contextualizada, para tal buscando versões online e pdf dos livros.
Desenvolvimento
2. Desenvolvimento
A Tese para esta narrativa é: pensamos de fato, de maneira in extremus, mesmo que em uma dinâmica reduzida e muito simplista, as possibilidades e implicações, clínicas, mentais e sociais, do labor, cada qual aquele e aquela que é do labor, com suas particularidades também. Através da tese fazemos uma reflexão ativa, seguindo premissas biopsicossociais e da terapia cognitiva comportamental, em ordem de um diálogo interrogativo, ainda que este trabalho se limite a um exemplo, e, de forma limitada, do que é o trabalho, do que o estar presente em um trabalho, do que é pré-conceber o trabalho que ainda não se iniciou e, finalmente, como o trabalho influencia muito, absolutamente, enquanto realidade primeira das mais antigas atribuições do homem que constituíram materialidade, estruturalidade, comércio, ensino, estradas e civilizações.

Reflexão filosófica: O Trabalho é. Ele enquanto denominação socrática, tem fundamento muito além do metafísico de Kant. Ele é porque compõe como leitmotiv todas as apropriações do diálogo, do commitatus, da ponendi, reponendi, vertendi et vincendi ideam (do colocar, recolocar, revirar e bater a ideia; tal como um jogo de bater cartas de álbum de figurinhas ou de fechar um prompt em DOS, como C:\\exit).
Lembrando o que foi supracitado na Introdução, sobre o termo PEA – População Economicamente Ativa – temos que interpolar que é parte do Capitalismo também o trabalho com ganho; e isso, amplia em muito a própria ABDICATIO (resignatória) do entendimento do que é a causalidade para a materialização e confecção do mundo, pelo atributo primário e único do ser o humano, a conversação com diálogo, racional.
Sendo assim, vamos dialogar sobre os próximos tópicos, tentando explorar um pouco mais este universo, sem deixar de usar para isso, a Terapia Cognitivo Comportamental. Para que isso ocorra de uma forma não abstrata, interpretaremos o cotidiano de uma cozinha industrial de uma grande empresa, seu agente laboral – na figura da cozinheira - e as implicâncias desta realidade em termos de saúde. Desta forma tentaremos levantar algumas questões sobre o que é adoecer no trabalho.
2.1. Prevenção sob a Ótica da Psicologia na vertente da Terapia Cognitivo Comportamental
A prevenção primária, a "saúde primeira", a saúde "sanitária – ou o "sanitarismo", assim como a medicina preventiva, epidemiológica, a medicina estatística, a medicina de Big Data, e por última, a Medicina do Trabalho; todas estas áreas, são fundamentais à interpretação dos fatos, no sistema "Capitalista", de trabalho.
"A educação tem por objeto suscitar e desenvolver na criança certo número de estados físicos, intelectuais e morais reclamados pela sociedade política, no seu conjunto, e pelo meio especial a que a criança, particularmente, se destine" (DURKHEIM, 2011, p. 13).
A prevenção primária, através de imunizações para doenças microbiológicas, em diversos momentos etários; através da promoção e divulgação de importantes e críticas informações referentes aos cuidados primeiros à saúde – tão primeiros que até antes do sistema pré-mórbido – o entendimento e avaliação precoce de morbidades sistêmicas, a disponibilização de informativos, orientações coletivas, orientações em escolas, orientações em mídia, as orientações mais específicas e fundamentais como: higiene bucal, higiene e cuidados com o corpo, guias alimentares à população e até mesmo pré-formulação referentes à ergonomia e adoecer do ponto de vista do trabalho ou das atividades cotidianas próprias a cada ser humano, como até mesmo, os cuidados no lar e tudo a ele relacionado (Ministério da Saúde).
Esta medicina preventiva, ou medicina primeira, é a medicina básica. Não é de fato a medicina sanitária, que tem outras interpretações à realidade da população. Em termos de Psicologia e Terapia Cognitivo Comportamental, pode ser melhor se utilizarmos conhecimentos de ordem psicológica e psíquica na ideal interpretação dos fatos do capital mundo do trabalho.
Veja – se a terapia Cognitivo Comportamental – faz uso de "tasks" (tarefas), "homework" (lições de casa), "fundamentações analíticas", "desejo e integração", entre diferentes outras formas de se ver a própria realidade de cada indivíduo – único, em personalidade e em capacidades criativas – têm-se aí um ótimo dispositivo para prevenção em diversas sistemáticas daqueles inseridos às atividades aqui estudadas.
Vamos pensar como: grupos de roda de conversa, conversas individuais e sistematização da informação mental, sob os preceitos acima citados, de "tasks"; por exemplo, podem auxiliar e muito na preparação do resolver dos problemas diários (BECK, 1997, p. 254-273).
Estudo de Caso: A Cozinheira Industrial
Têm-se por exemplo uma mulher que trabalha na cozinha industrial de uma grande empresa. Ela prepara quatro refeições em sua jornada: café da manhã, almoço, café da tarde e jantar. No período de dez horas de dinâmica de trabalho, realizando então rotatividade diária, para assim finalização adequada à rotina pré-estabelecida pela empresa, referente ao consumo de alimentos pela população da fábrica.
Veja – neste sentido – a tarefa desta pessoa que está na cozinha industrial desta empresa, é fundamental ao empenho e produtividade e diversos mecanismos outros a esta mesma empresa, inclusive mecanismos de ordem jurídica e de afastamentos do trabalho por adoecimento. Neste mesmo exemplo, esta cozinheira tem a importância de nutrir, sob o aspecto da orientação de uma Nutricionista e demais profissionais ligados a este time do "alimento", sob condições de higiene e sanitárias. O preparar é feito enquanto matéria-prima ali existente. O tempo de preparação, o "ponto da carne", o "ponto do arroz", o "ponto da lasanha" são de avaliações aos cuidados desta preparadora – mas, muitas vezes, em primeira instância – do instrumental presente em travessas, bandejas, fogões e louças para seu preparo.
"O modelo cognitivo afirma que a interpretação de uma situação (em vez da situação em si)… influencia as emoções, comportamentos e respostas fisiológicas subsequentes de uma pessoa" (BECK, 2011, p. 259).
01
Falta de Recursos
A cozinheira que não tem o ferramental "de insumo" e instrumental adoece.
02
Frustração Profissional
Não consegue exercer o trabalho que aprendeu em curso, talvez com exímia, sofrendo com uma diminuição do limiar de aceitação por oferecer um produto alimentar final que "não está a seu gosto".
03
Problemas Físicos
Falta de ergonomia e problemas sistêmicos dos ossos, das articulações, do olfato, da visão, neurológicas, endócrinas.
04
Adoecimento Mental
Insatisfação e entristecimento, podendo levar a pior desempenho nas atividades do lar, ansiedade e depressão.
"A terapia cognitiva procura aliviar as tensões psicológicas, corrigindo concepções defeituosas e auto-sinais. Ao corrigir crenças errôneas, podemos reduzir reações excessivas" (BECK, 1975, s.p).
E como adoece do ponto de vista mental? Adoece sobretudo em insatisfação e entristecimento. E isso é importante de qual maneira pensando-se em sua "vida de saúde"? É importante em numerosos e tão vitais e estruturais aspectos. O sofrimento da insatisfação pode levar a pior desempenho nas atividades do lar, ansiedade e depressão. Pode passar a abandonar qualidades de asseio antes obtidas e talvez – até mesmo – a qualidade e vontade pelo estudo.
E como isso gera um desfecho ainda pior? Possivelmente esta mesma paciente pode vir a estar em consulta médica de consultório, com extrema dificuldade e interpelar e explanar sua vivência na vida Capitalista e laboral, sendo muitas vezes a ela prescrita um ansiolítico: fluoxetina; e um antidepressivo e sonífero, e relaxante muscular: amitriptilina.

Observação clínica: Escrevo tais análises a partir de minha observação pessoal na prática enquanto Médico da Atenção Primária em quatro municípios do estado de São Paulo (Campinas, Paulínia, Santa Bárbara d'Oeste e São Paulo).
Há a percepção de que existe uma construção infernal e inequívoca de "mal social". Através de medicação esta pode até vir a seguir sua determinação laboral, mas é inerrável imaginar que está – impossivelmente e distantemente – alvo de interpretação adequada à estrutura e possibilidade de felicidade do indivíduo.
Então, neste sentido, como pode a Terapia Cognitivo Comportamental resolver? Em vista desta, problemática, tão mínima e insignificante em tempo primeiro, e perversa e analítica, até sob mecanismos de interpretação de ferramental da saúde por agentes perversos à lógica laboral e sociológica – que nada sabem de sociologia – que nada sabem de microfísica do poder – que não usam de horizontalidade em suas relações de médicos e pacientes – de toda psiquiatria atrasada e errática ainda ensinada em alguns locais de formação – até mesmo o uso e continuidade deste indivíduo enquanto "pagador" de consultas para se "discutir" o atribuir do adoecimento diário, nunca solucionando – de ordem inequivocamente – de microfísica – vexatória, analítica e de posse, ou seja, sem base médica inserida no contexto de diplomação em saúde mental, por agentes equivocados em ordem do próprio discernimento de seu equívoco.
Então nos parece, a par do uso de Fluoxetina e Amitriptilina, que este é um problema muito mais sério, que pode vir até a desfechos em consultório de agentes perversos que podem vir a utilizar estas pessoas. Sim. De fato. Como vamos interpelar a um problema básico que se transforma em erro social de extinguidão? Talvez a Terapia Cognitivo Comportamental, utilizada por indivíduos salutares, possa vir a oferecer uma resposta e solução para esta explanação.
O UpToDate, maior acervo de consulta em Cânone de conteúdo médico na forma de exposição de artigos atualizados, fundamentados, avaliações sobre reinterpretação de conceitos ali dispositivos, para fundamentação final de um assunto, após altíssima avaliação de seus tópicos, com exímio, diz que: em termos de saúde mental a PSICOLOGIA no cuidado da SAÚDE MENTAL é primeira, e exclusivamente, PRIMEIRA, para o tratamento de qualquer doença mental, sendo escolha primária antes à alternativa farmacológica alopática, devendo esta decisão ser atribuída ao PROFISSIONAL MÉDICO, que ENCAMINHA o paciente para esta categoria de análise mental à PSICOLOGIA, sendo o médico também responsável por prescrever o tratamento alopático quando necessário.
"O modo como interpretamos a realidade influencia nossas emoções, comportamentos e, consequentemente, todas as áreas da vida" (BECK, 1976, p. 13).
Veja, se a psicologia é a ferramenta primeira para interpretação dos fatos em saúde mental, temos aí uma grande solução em termos de atenção primária principalmente, mas de continuidade e reabilitação também. O indivíduo neste mecanismo analítico sob a vista do Psicólogo ou da Psicóloga, poderá explanar, através de entrevista psicológica, extensamente sobre o que lhe causa dor. É ótimo, não? É mais que isso, necessário. Dentro deste contexto este mesmo indivíduo pode vir até mesmo a escolher uma outra atividade laboral, deixando a sofrer dentro de um contexto ilógico e absurdo do "mal social" no adoecer…
2.2. A medicina enquanto dispositivo junto à psicologia na continuidade do tratamento
Sabendo desta questão fundamental à saúde de nossa própria análise sob o Capitalismo Adam Smithiano, podemos visualizar com mais qualidade um futuro mais belo e feliz. A medicina faz diagnóstico, interpela ao colega Psicólogo(a) o auxílio no tratamento mental do indivíduo. Poupa-se talvez extensa narrativa de consultório inequívoca e perversa de agentes antigos da Psiquiatria pré moderna ou não contemporânea sob a interpretação de Stuart Hall, a exemplo. Define, trata e resolve a própria mecânica naquele indivíduo que não se atualizou. Resolve e determina melhor o país enquanto práxis de saúde.
Ao Psicólogo atribui-se papel extenso e formidável, resolve e continua, assegura longitudinalidade, resolve mais ainda, sob um olhar analítico belo, do olhar empático e resolvente, tendo a dispositivos diversas possibilidades a seu alcance, a fazendo uso de diferentes Escolas da psicologia, sendo uma destas a Terapia Cognitivo Comportamental.
O UpToDate, após extensa avaliação, determinou, não de forma impossibilitada, o qual melhor preparo. A avaliação sistêmica em menor ocupação em leitos e em consultas médicas eletivas, a tratar questões de ordem de insalubridade diversa sob o olhar do médico. Resolve questões de atestado e distanciamento do trabalho em saúde – não sempre – mas em muitas circunstâncias, mazela enorme ao país, que causa disfunção Capital ao país e empobrecimento do olhar do mundo referente à nação.
Exemplo Clínico: Artralgia de Joelho
Posso exemplificar com uma situação mecânica e ortopédica: Artralgia de Joelho. Artralgia de Joelho pode ser entendida através de um componente primário não resolvente. A não exclusão daquela cozinheira, ser laboral, individual, psicológica e criativa, mãe, avó ou tia; do pensar, talvez até óbvio, que existe um adoecer e contínuo daquela dinâmica. Que com atribuições psicológicas de sofrimento, adoecimento e desespero – psicopatologias pré-mórbidas – evita-se o continuar em desfecho futuro farmacológico ou outras questões. Por isso o UpToDate reforça que: primeiro, é melhor falar dos problemas.
"Existem qualidades especiais, como compromisso, sensibilidade, generosidade, consideração, lealdade, responsabilidade, confiança, que são determinantes para uma relação feliz" (BECK, 2007, p. 67).
Ganho Individual
Melhora na qualidade de vida e saúde mental do trabalhador
Ganho Econômico
Redução de afastamentos e custos com tratamentos prolongados
Ganho Social
Melhoria nos índices GINI e PIB, desenvolvimento nacional
Há um inequívoco ganho a todos. O país cresce. A economia melhora. O índice GINI (instrumento para medir o grau de concentração de renda em determinado grupo) e o PIB (Produto Interno Bruto) são mais salutares e incrivelmente melhores. Um funcionamento orgânico e operante da correção em termos de sociologia, apropriação e felicidade ocorre.
2.3. Reabilitação e Terapia Cognitivo Comportamental
Através do sistema "task" e "homework" da TCC, da "entrevista" TCC, obtém-se informação formidável de qualquer indivíduo, tendo em foco o capital e o labor. Avaliações continuadas em discussão horizontal psicólogo(a)-paciente são salutares. Atribuições de atividades de rotinas, listas, e reflexão contínua em cooperatividade, um maior grau de felicidade e autoentendimento.
"Homework", como uma tarefa básica de "quem vai à escola" oferece estímulo e prazer no autoentendimento, além de estabelecer relação empática e ótima do ponto de vista da agradabilidade. Ajuda em muito a Medicina, ao deslocar para ordem primeira do auxílio ao cuidado da saúde mental o paciente para Psicologia, como bem estabelece o UpToDate em diferentes artigos, sem para isso o Médico se eximir de suas próprias atribuições.
Nesta última plataforma de consulta supracitada há a definição, de acordo com a Medicina Baseada em Evidências, das propostas terapêuticas, em melhor desempenho e acesso, para obtenção de desfecho clínico mais favorável, assim como o respectivo prognóstico da morbidade.
Quando pensamos em adoecimento no trabalho, é de grande importância consultar plataformas médicas e de psicologia, referentes aos textos mais atualizados e propostas mais adequadas, no controle destes eventos. Para tal, o profissional precisa estar constantemente atualizado e ter entre seu ferramental de práxis o uso de scores (escala de gravidade ou de formalização diagnóstica ou de intervenção), protocolos, manuais, testes, anamnese direcionada, propedêutica e semiologia direcionada, entrevista clínica de acordo ao contexto, e, ainda, noções sobre medicina social e sanitária, assim como epidemiologia e, sempre que possível, sociologia também.
Estes dispositivos junto ao conhecimento médico, e, entre suas apropriações, no conhecimento em saúde mental e psicologia, é que vão de fato possibilitar uma dinâmica de melhor entendimento e intervenção ao paciente, como relatado neste estudo, o paciente em circunstância dos aspectos que interferem sua dinâmica social, mental e física; aliada ao trabalho diário.
Conclusão
3. Conclusão
Muito interessante a avaliação de todo mecanismo de adoecer, da ordem MÉDICA e da ordem PSICOLÓGICA. A avaliação através de uma única funcionária da cozinha de uma empresa. Importantíssima a reflexão como pequenas coisas podem ter desfechos de grande "mal social".
Ao refletirmos sobre a condição de nossa personagem estar em um ambiente de cozinha industrial, avaliamos os dispositivos referentes às quantidades de insumo e materiais para uso neste contexto, assim como suas implicâncias; nos debruçarmos também sobre as erraticidades de uma ergonomia equivocada e inadequada; pesquisamos sobre a dinâmica pré-labore, exercícios em rotina de trabalho e suas intervenções terapêuticas; discutirmos ainda sobre as implicações medicamentosas no âmbito individual – e que também – é coletivo, em determinativas de grupos sociais epidemiologicamente parecidos em diversos aspectos, sobretudo o de renda e o de lucro; em continuidade avaliamos as estratégias para intervenção necessária, social, física e mental, sendo nesta última proposta a Terapia Cognitivo Comportamento como ferramenta de intervenção; de tal maneira que podemos, enfim, ter a constatação da elaboracidade e impropriedades relativas ao caoticismo em nosso contexto, brasileiro, do trabalho, em que o profissional sofre, de mazelas, sociais e mentais, que, por fim, levam a objetos situacionais e estratégicos distintos.
Estar ciente de como funcionamos enquanto pessoas do capital social é algo que envolve a ordem da estruturação e narrativa do país, em referência ao mundo. Fundamental a análise de qual o papel de cada um. Necessária a vontade e estudo para resolver questões de natureza triste e equivocadas.
Sabendo da importância e do universo extenso, quase impossível de análise completa, entendemos o trabalho como "leitmotiv" das principais necessidades humanas, na aquisição de bens materiais e imateriais para seu próprio crescimento. Novamente, o trabalho é indissociável de nossa natureza. Este antecedeu até mesmo a fala e troca de informações entre nossas origens mais primitivas. É possível estabelecer que determinadas atividades eram de um gênero, enquanto outras, do gênero oposto, mesmo em um contexto em que a comunicação era ainda pouco estabelecida e primeira.
Pensar na realidade brasileira do trabalho é apenas um modo de se ver toda infinidade do tema. O trabalho se torna ainda mais bonito quando avaliadas suas diversas possibilidades de criar, de captar recursos, de promover cidadania e mudanças gerais na civilização.
Sendo assim, este artigo teve como objetivo, através de texto dissertativo e narrativo, a melhor observância dos fatos, do capital social e labor. Ciências adjacentes e periféricas são todas necessárias e eventualmente fruto de uma análise posterior.

Oração ao Cadáver Desconhecido
"Ao curvar-te com a lâmina rija de teu bisturi sobre o cadáver desconhecido, lembra-te que este corpo nasceu do amor de duas almas; cresceu embalado pela fé e esperança daquela que em seu seio o agasalhou, sorriu e sonhou os mesmos sonhos das crianças e dos jovens; por certo amou e foi amado e sentiu saudades dos outros que partiram, acalentou um amanhã feliz e agora jaz na fria lousa, sem que por ele tivesse derramado uma lágrima sequer, sem que tivesse uma só prece. Seu nome só Deus o sabe; mas o destino inexorável deu-lhe o poder e a grandeza de servir a humanidade que por ele passou indiferente."
— Karl von Rokitansky (1876)
Ao cadáver, respeito e agradecimento.

Referências
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